Em junho de 2025, o Supremo Tribunal Federal voltou a ganhar as manchetes nacionais e internacionais. No centro desse turbilhão está o ministro Alexandre de Moraes, figura emblemática no combate ao que ele chama de “populismo digital extremista”. Na última semana, Moraes conduziu o interrogatório de Jair Bolsonaro — ex-presidente e suspeito de liderar um plano golpista — ao mesmo tempo em que trava uma queda de braço com gigantes da tecnologia sobre o controle de conteúdo político nas redes.
No final de junho, Moraes assumiu papel de protagonista ao conduzir o interrogatório de Bolsonaro sobre o suposto plano de golpe pós-eleitoral, no episódio que culminou na invasão do STF por extremistas bolsonaristas em janeiro de 2023. Em tom firme e direto, o ministro questionou o ex-presidente sobre acusações de corrupção e afirmou que “a liberdade de expressão não pode ser pretexto para crimes”. A repercussão foi imediata — ao vivo, milhares acompanharam a sessão pela TV e redes oficiais do Supremo.
Essa postura vigorosa foi celebrada por aqueles que consideram Moraes um bastião do Estado de Direito. Ao mesmo tempo, críticos apontam que ele teria ultrapassado limites constitucionais, afirmando que suas decisões unilaterais reforçam uma concentração de poder pouco saudável para a democracia.
Um embate global: STF x X (ex‑Twitter)
O ministro também travou uma batalha com Elon Musk, dono da rede X (ex‑Twitter). Em 2024 e 2025, diversos perfis bolsonaristas foram suspensos por disseminar notícias falsas, a pedido do STF. A reação de Musk culminou na suspensão do serviço no Brasil, após recusa em cumprir ordens judiciais. O episódio, que durou quase um mês, terminou com a reabertura da plataforma mediante pagamento de multa de US$ 5 milhões .
Com isso, Moraes solidificou a tese de que empresas de tecnologia devem cumprir a lei brasileira e responder por conteúdos que incitem violência, golpe ou desinformação. A decisão extrapolou um simples caso local: serviu de alerta para governos globais sobre o poder de plataformas digitais.
Iniciativas polêmicas que simbolizam o novo papel do STF
O movimento do STF — capitaneado por Moraes — excede casos pontuais. Ele propôs que redes sociais removam conteúdos nocivos sem necessidade de ordem judicial. A imposição visa desativar discursos que ameaçam o processo eleitoral ou incitam ódio e violência.
Além disso, Boa parte da corte vem adaptando seu funcionamento às exigências de maior transparência e acompanhamento da opinião pública. Desde 2002, as sessões são transmitidas ao vivo, e o STF mantém perfis em redes como TikTok para explicar decisões à sociedade . Em sua visão, essa modernização é essencial para legitimar o poder das decisões judiciais.
O risco da polarização jurídica
Os críticos destacam alguns riscos: concentração de poder nas mãos de poucos, risco de censura sob justificativas jurídicas vagas, e escorregamento para o arbítrio por parte da corte. Por outro lado, defensores argumentam que tais medidas são necessárias para defender a democracia contra ameaças reais — inclusive atentados —, como aquele de janeiro de 2025, quando um bolsonarista com colete explosivo se suicidou diante do STF .
A professora Maria Tereza Sadek (USP) aponta que, embora haja críticas de constitucionalistas, os demais ministros têm dado suporte institucional a Moraes. Eles decidiriam coletivamente sustentar a estratégia de combate ao extremismo digital.
Impactos na sociedade e próximos passos
A repercussão vai além do meio jurídico. No Brasil, o tempo médio diário de conexão online por pessoa é de cerca de nove horas — um ambiente fértil para a disseminação de narrativas conspiratórias. Sendo assim, impulsiona debates públicos sobre até que ponto a moderação do discurso em plataformas deve ser tolerada.
Ao mesmo tempo, ocorre uma escalada nas investigações: além de Bolsonaro, generais e empresários supostamente ligados à trama golpista vêm sendo alvo de inquéritos.
Conclusão
Um novo paradigma tem sido simbolizado no Judiciário brasileiro por Alexandre de Moraes, sendo a postura representativa por ele adotada caracterizada pela condução do enfrentamento à desinformação, à violência institucional e ao risco de colapso democrático, por meio do tribunal digital estabelecido na internet.
Enquanto decisões mais rigorosas continuam a ser impostas às redes sociais e às figuras públicas pelo Supremo Tribunal Federal, um debate inédito está sendo protagonizado no país a respeito da liberdade de expressão, do uso do poder tecnológico e da necessidade de proteção à democracia.
O possível impacto dessas medidas, tanto nos resultados das eleições futuras quanto no modelo adotado por países que enfrentam dilemas semelhantes, tem mantido o tema constantemente posicionado no centro das discussões nacionais — com a atuação de Moraes sendo colocada como elemento central nesse processo de transformação.